A República Popular Democrática da Coreia negou acusações de roubo de criptomoedas patrocinado pelo Estado, mesmo depois que a empresa de inteligência de blockchain TRM Labs informou que atores ligados à DPRK roubaram aproximadamente US$ 577 milhões nos primeiros quatro meses de 2026. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do regime descreveu as acusações como “calúnia absurda” e “uma ferramenta política” criada para facilitar a “política hostil” dos EUA, segundo a agência estatal KCNA neste domingo.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores disse que é “inaceitável” Washington — que eles descreveram como tendo o “melhor poder técnico cibernético do mundo” — se retratar como “a maior vítima do mundo”. O porta-voz acrescentou que a Coreia do Norte “nunca tolerará” tentativas de confronto e adotará “todas as medidas necessárias” para defender os interesses do seu Estado.
De acordo com a TRM Labs, os US$ 577 milhões roubados nos primeiros quatro meses de 2026 representaram 76% das perdas globais com hacks de criptomoedas no período. O total foi impulsionado por dois incidentes de abril: o exploit do KelpDAO de US$ 292 milhões e o ataque ao Drift Protocol de US$ 285 milhões.
A TRM atribuiu a violação do KelpDAO a TraderTraitor, uma operação afiliada à Lazarus, enquanto o ataque ao Drift envolveu um subgrupo separado, com atribuição ainda em análise. Esses dois incidentes, juntos, representaram apenas 3% de todos os incidentes registrados por contagem até abril de 2026.
A fatia da Coreia do Norte nas perdas globais com hacks de cripto acelerou ao longo do tempo, subindo de menos de 10% em 2020 e 2021 para 64% em 2025, segundo a TRM Labs. O roubo acumulado de cripto atribuído à Coreia do Norte excedeu US$ 6 bilhões desde 2017, informou a empresa de inteligência de blockchain.
Autoridades dos EUA e internacionais têm ligado consistentemente esses recursos à infraestrutura militar do regime. Um relatório recente da ONU apontou que os ativos digitais roubados funcionam como uma fonte de receita importante para os programas nucleares e de mísseis balísticos de Pyongyang.
Em 13 de março, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Tesouro sancionou seis indivíduos e duas entidades ligados a esquemas de trabalhadores de TI da DPRK que geraram quase US$ 800 milhões em 2024. As sanções miraram facilitadores que viabilizaram transações de criptomoedas e converteram fundos em ativos digitais.
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