Você é covarde quando está lucrando, mas enfrenta a morte de cabeça erguida quando está em prejuízo. O vencedor do Prêmio Nobel Daniel Kahneman, em seu livro “Rápido e Devagar”, revela: seu cérebro, para manter o equilíbrio psicológico, criou uma “conta psicológica” de trapaça, que faz você se enganar sistematicamente, incapaz de parar de perder racionalmente. Este artigo é baseado em um texto do CryptoPunk, organizado, traduzido e escrito pelo PANews.
(Resumindo: Novo artigo do autor do “Cisne Negro”: Investir sem stop loss é mais seguro? Os riscos estruturais ocultos)
(Complemento de contexto: A primeira regra do trading: discutir controle de risco claro e stop loss de posição)
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Chega de falar de análise técnica, de macroeconomia. A razão pela qual você ainda é aquela “liquidez” que foi colhida é uma só:
Você é covarde quando está lucrando, mas enfrenta a morte de cabeça erguida quando está em prejuízo.
Ao ver um lucro flutuante de 10%, você fica nervoso, com medo de que o pato cozido voe, e rapidamente realiza o lucro; ao ver uma perda flutuante de 30%, você fica tranquilo, fecha o software e diz para si mesmo: “Desde que eu não venda, isso não é prejuízo”.
Isso não é uma boa mentalidade. Do ponto de vista da ciência cognitiva, isso é um autoengano sistemático.
O ganhador do Nobel Daniel Kahneman, em “Rápido e Devagar”, já deu a sentença: seu cérebro, para manter um certo equilíbrio psicológico, criou uma “conta psicológica” de trapaça.
Por que você não quer parar de perder? Porque vive na ilusão criada pelo seu cérebro.
No seu subconsciente, há duas contas:
Por isso, você fica chateado por perder 100 reais na vida real, mas fica indiferente ao ver dezenas de milhares de reais evaporarem no software de trading. Porque, no nível psicológico, esse dinheiro já foi degradado por você.
Quando a conta apresenta prejuízo, seu cérebro ativa o “mecanismo de isolamento”: enquanto não fechar a posição, esse prejuízo é apenas um pixel na tela, é “flutuante”, é “falso”.
O stop loss é difícil porque força você a romper esse isolamento, convertendo “prejuízo flutuante” em “dor real”. Para evitar essa liquidação, você opta por enterrar a cabeça na areia como uma avestruz, mantendo esse falso conta psicológica intacta.
Acorde. No mundo financeiro, não existe “prejuízo flutuante”; o valor de mercado de cada segundo é sua riqueza atual. Você não vender, por si só, é uma nova decisão de compra.
(Nota especial: Este artigo discute apenas uma questão central — por que, quando a negociação já está desfavorável, o instinto humano nos força a tomar decisões ainda piores. Não discutimos reversões de fundamentos ou posições sistemáticas, apenas julgamos a irracionalidade de segurar posições por fuga psicológica.)
A teoria prospectiva de Kahneman revela uma verdade ainda mais cruel: a atitude humana em relação ao risco é dissociada.
Ao enfrentar uma perda de -20%, a racionalidade diz para você parar e sair. Mas seu instinto animal diz: “Luta mais! Talvez recupere tudo se aguentar um pouco mais!”
Assim que você entra na zona de prejuízo, seu cérebro deixa de buscar “maximizar ganhos” e passa a evitar “admitir erro”.
Aqui é importante distinguir dois comportamentos completamente diferentes: um baseado em regras pré-estabelecidas, o “prejuízo flutuante estratégico”, e outro baseado em emoções de resistência, o “resistir até o fim emocional”. Este artigo julga o segundo.
No lamaçal do prejuízo, para evitar perdas certas, você está disposto a apostar toda sua riqueza em uma chance mínima de recuperação. Nesse momento, você já não é um trader racional, entrou na típica condição de “perseguir prejuízo” em nível biológico.
Se você ainda pensa: “Da próxima vez, vou parar com força de vontade”, parabéns, você vai explodir seu capital na próxima.
Durante períodos de alta adrenalina, tentar usar “força de vontade” para combater os instintos evoluídos ao longo de milhões de anos é uma arrogância.
Quer sobreviver? Você não precisa de mais força de vontade, precisa de um conjunto de regras que não exijam força de vontade.
Se você ainda tenta lembrar do seu stop loss na cabeça, está deixando uma saída para si mesmo. Solução: ao fazer a ordem, defina uma ordem condicional. Deixe o stop loss no servidor da exchange, não na sua mão. Se você não consegue colocar uma ordem de stop, significa que desde o momento de abrir a posição, já está preparado para agir como uma avestruz.
A maior parte das perdas severas ocorre por causa do apego a não deixar prejuízos overnight, levando a perdas cada vez maiores. Solução: estabeleça uma regra rígida — antes do fechamento (ou antes de dormir), se a conta estiver no vermelho, limpe metade da posição sem condições.
( Nota: Essa regra dura é destinada a dois tipos de pessoas: 1. traders subjetivos sem backtest completo; 2. pessoas que já apresentam emoções visíveis em prejuízo. Sistemas de tendência não entram na discussão. )
Por que isso é crucial? Porque a continuidade alimenta a psicologia do apostador, e o mecanismo de interrupção corta essa continuidade. Assim que interromper o fluxo do tempo, seu cérebro pode trocar do modo “recuperar tudo” para o modo “agir racional”.
Esqueça o valor do seu depósito, esqueça seu preço de entrada.
Solução: antes da abertura, escreva seu patrimônio líquido atual em um papel. Essa é sua base de capital de hoje. Se restarem apenas 5 mil, pense com base nesse valor. Nunca tente recuperar o dinheiro que já foi perdido, porque, fisicamente, ele já não pertence a você.
O mercado não é apenas um palco de transferência de riqueza, mas uma máquina de moer a humanidade.
Stop loss, na essência, é uma forma de “desintoxicação” anti-humana. Vai contra nosso instinto de perfeição, machuca nosso orgulho de não querer perder.
Mas lembre-se: Seu cérebro foi projetado para sobrevivência, e o mercado, para colheita.
O mercado nunca recompensa o instinto, mas deixa uma passagem para poucos que se autodisciplinam.